PROJETO: VALORIZANDO OS AUTORES NACIONAIS

Olá gente, tudo bem? Hoje trouxe uma novidade pra vocês. Eu e a Rebeca do blog Escrevendo e Rabiscando  estamos fazendo um projeto de valorização aos autores nacionais. E vamos fazer isso por meio de entrevista com eles para que vocês possam conhecê-lo e apreciar suas obras. Devemos dar o exemplo e ler os livros nacionais, esses autores são muito talentosos. Espero que gostem e caso tenha alguma outra curiosidade pode deixar nos comentários que eles irão responder!



O nosso primeiro entrevistado para dar início ao projeto é o autor Rafael Pombo. Ele tem dois livros publicados na Amazon, "Quatro Mundos" e "Os Mecanismos do Mundo".



A partir de que ideia resolveu criar essas histórias?

No caso de Quatro mundos, não foi uma situação habitual. Todos os contos da antologia foram, na verdade, escritos para concursos que exigiam temas específicos. Então, "Adagas e aranhas", por exemplo, foi escrito para um concurso de contos com o tema "caçadores de fantasmas". Para "Mil grous de papel", o tema era "desejos". Este último, aliás, foi o único que foi aceito em uma antologia que talvez nem exista mais. Como eu tinha então esses quatro contos — cada um deles com um tamanho até bem grande para um conto — não sendo lidos por ninguém, resolvi juntá-los em um livro só e colocá-lo à venda na Amazon. Sendo assim, as ideias eram limitadas pelo que chamam em inglês de prompts, que são sugestões de ideia com certos parâmetros dentro dos quais você é obrigado a trabalhar. "Escreva um conto de até cinco páginas sobre duas mulheres e que envolva um relógio" é um exemplo de prompt, um bem específico. Pode parecer limitador, mas já houve pesquisas apontando que a criatividade funciona até melhor quando precisa lidar com poucas opções, porque opções de mais podem causar uma paralisia no indivíduo, especialmente se ele for do tipo indeciso, sem foco e/ou perfeccionista, enquanto poucas opções forçam a mente a fazer o melhor com o que tem à sua disposição. Percebi que isso me ajuda, mas não gostaria de escrever apenas com base em prompts.

O que nos leva a Os mecanismos do mundo, o romance que começou como um turbilhão de ideias completamente desfocadas, sem algo para me guiar (um prompt, talvez!) e me mostrar de uma vez o que de fato eu queria com essa história. Quem vê esse livro curtinho sem nada de especialmente complexo nem acredita. Ele chegou a começar, por exemplo, com elementos sobrenaturais, mas essa ideia só estava me frustrando, e eu queria desesperadamente escrever de novo alguma história até o final sem desistir dela (como é meu modus operandi, infelizmente). Cheguei a um ponto em que eu quase desisti do ofício de escrever. Estava bem deprimido. Então eu fiz uma longa viagem e, enquanto ela durou, eu mal pensei em escrever. Resolvi só deixar a cabeça absorver novas experiências e aproveitar o momento. Quando retornei, de repente pareceu muito claro o que eu devia fazer: tentar escrever uma história apenas sobre os dramas das pessoas. Ocorreu-me que, talvez, eu me agarrasse aos elementos sobrenaturais que costumo incluir nas histórias como se eles fossem o que salvassem a história, o que a tornava interessante. Com isso em mente, senti que algo se desbloqueou em mim, e tudo o que eu queria para a história foi ficando até bem óbvio, natural. A história deveria ocorrer ao longo de um ano. Eu me limitaria aos três pontos de vista dos três personagens centrais. E assim foi. Acho que sem perceber, eu fui criando pequenos prompts que faziam sentido para a história, e durante um período de disciplina extraordinária que nunca mais consegui reproduzir, eu acordava todos os dias no mesmo horário e escrevia até bater uma meta alta de palavras (estilo Stephen King!), e em pouco mais de um mês o romance estava pronto.

Sempre quis ser escritor?

A palavra "escritor" só entrou no meu radar mesmo em torno dos meus 15 anos. Mas muito antes disso, desde pequeno, eu inventava histórias a meu modo. Eu tinha uma gaveta larga lotada de bonecos que eu fazia interagirem, lutarem, etc. Depois eu passei a desenhar histórias em quadrinhos com personagens baseados em mim e nos meus amigos. Finalmente, aos 15, eu descobri as fanfictions. Era extremamente divertido poder escrever suas próprias histórias nos mundos dos personagens de desenhos, jogos, etc. de que eu tanto gostava. Só que eu logo percebi que o mais legal mesmo era fazê-los interagir com personagens que eu criava, o que chamam no mundo das fanfictions de OCs (original characters ou personagens originais). Naturalmente isso me levou a me perguntar se não havia um modo de escrever histórias totalmente originais e ainda assim fazer as pessoas se interessarem por isso. Ei, eu podia ser escritor! Daí em diante, foi uma jornada de aprendizado, tentativas e erros, pensamentos de desistência... e até pequeninos sucessos.

O que te inspira a escrever?

A possibilidade de vivenciar situações e encarnar indivíduos que estão fora do escopo da minha vida e compartilhar ideias e experiências comuns. Ficou muito críptico? Haha. Tento explicar:
Eu me canso rapidamente dos limites da minha vida. Quem eu sou, como sou, aonde posso ir, o que posso fazer. Escrever é uma forma de explorar circunstâncias que me despertam curiosidade ou desejo. Eu posso, por exemplo, escutar uma música que me faz imaginar um lugar muito bonito, fantástico, quase saído de um conto de fadas, e fico com tanta vontade de ir até lá, que a minha forma de descobrir que lugar é esse é elegendo um personagem para ser meu enviado especial a esse lugar. Pode parecer meio estranho, mas acho que é como minha cabeça funciona. E, por meio dessa história — neste exemplo, uma fantasia, provavelmente —, eu busco relatar experiências que nos conectam como seres humanos. Verdades que nos aproximam.

Posso estar enganado, mas acho que certa vez ouvi o Fábio Porchat (olha aonde chegou a resposta, haha) dizer que um motivo pelo qual ele faz comédia é para obter do público não só risadas, mas risadas com uma reação de "Isso é verdade!", pois há uma identificação mútua. A comédia, a boa comédia, a melhor comédia, na minha opinião, não se trata de inventar uma piadinha fácil qualquer zombando de determinado grupo ou ser politicamente correto ou incorreto, e sim trazer às pessoas observações inteligentes a respeito da vida, coisas pelas quais todos passamos, e apresentar essas observações de modo inusitado. Uma piada inteligente e verdadeira sobre fios de carregadores de celulares que misteriosamente se enroscam durante a noite quando você os deixou retinhos antes de ir dormir é mais engraçada do que uma piada sobre o presidente ser um vampiro, pois todos passamos por isso... certo? (Bem, melhor ainda se você conseguir fazer uma conexão entre as duas coisas, haha.) Então também escrevo para obter a mesma reação de "Isso é verdade!", "Sei bem como é!", etc. dos leitores, pois sinto que isso nos aproxima.

Cite alguns motivos para que as pessoas leiam seus livros.

Hum... talvez um diferencial meu? Na resposta à pergunta anterior, falei das minhas inspirações primárias, então eu diria que o meu diferencial em termos de o que precisamente incluo nas minhas histórias seja o que vem das minhas inspirações mais concretas, do que consumo, do que admiro. Diferentemente da maioria (imagino) dos autores ocidentais de livros contemporâneos, eu me inspiro mais em obras orientais do que ocidentais. Por exemplo, enquanto um escritor brasileiro de fantasia costumar se inspirar em Tolkien, Dungeons & Dragons e Harry Potter, eu costumo me inspirar em Murakami, Final Fantasy e mangás. Tem algo na sensibilidade, na estética japonesa que me atrai muito e, até hoje, mesmo tendo estudado japonês e continuando a consumir obras de lá, não sei precisar bem o que é. Aparece em todas as artes, inclusive na música, que me parece ter letras mais metafóricas e poéticas do que a que se costuma ouvir no Ocidente.

Hayao Miyazaki, conhecido no Ocidente por animações como A viagem de Chihiro, certa vez falou do conceito de ma ("espaço", "vazio") que permeia seus filmes. Se você assistir a alguns deles, vai perceber que, em várias ocasiões, a ação parece cair, dando lugar a momentos de pausa, de contemplação. Os personagens, por exemplo, fazem coisas que não estão necessariamente ligadas ao avanço da história, mas que revelam mais sobre quem eles são. Isso é uma manifestação do ma, que não é o vazio pelo vazio, mas um vazio com um sentido emocional. Isso vai de encontro aos ensinamentos de roteiro no Ocidente (em sua maioria advindos de Hollywood) em que dizem que dar uma pausa ao leitor de um livro, por exemplo, para que ele diminua o passar das páginas e reflita sobre alguma coisa, é um grande erro. "Nunca pare a correria, os problemas, os conflitos; os personagens não podem respirar — e nem o leitor." Isso não é errado em si, mas descobri que não gosto de seguir essa "fórmula" e que aprecio os momentos de ma. Portanto, também tento trazer isso ao que escrevo.

De forma alguma quero me comparar a mestres consagrados de suas áreas, mas só para ilustrar o pensamento, se a maioria dos escritores ocidentais de fantasia são Disney, eu sou Miyazaki. Um não é essencialmente melhor do que o outro, apesar de todos terem suas preferências, mas se alguém acha que o mercado está muito saturado de Disney e quer tentar algo diferente, talvez queira tentar um pouco de Miyazaki, e esse pode ser um dos motivos para lerem meus livros.

35 comentários:

  1. Interessante publicação Gostei de ler. :))

    Hoje:- A Chuva lava-me a alma.

    Bjos
    Votos de uma feliz noite

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  2. Gostei de ler o post
    Bjs
    https://caminhos-percorridos2017.blogspot.pt/

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Confesso que não sou muito fã de livros nacionais, ainda mais os atuais, agora quadrinhos nacionais eu ADORO! Quando vejo um quadrinho nacional já tenho vontade de comprar pois sei que será bom e até agora não me decepcionei. Amei o projeto, acho super importante esse tipo de iniciativa, parabéns =D
    Beijinhos <3

    Toca da Lebre

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    1. Espero que tenha oportunidade de ler, vai amar. Fico feliz que tenha gostado do projeto :D
      Beijos

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  5. Que iniciativa linda! Não conhecemos nem metade dos nossos autores!

    mariasabetudo

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  6. Olá olá!
    Gostei imenso de conhecer mais um escritor!
    Beijinhos <3

    pimentamaisdoce.blogspot.pt

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  7. Oi Monyque, estou tão empolgada com esse projeto, e é muito bom poder estar realizando-o ao seu lado. Beijos!

    https://escrevendoerabiscando.blogspot.com.br/

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  8. Oi
    não conhecia o autor, gostei da ideia do poste para divulgar autores Nacionais, legal a entrevista.

    momentocrivelli.blogspot.com

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  9. OOOOOOI

    projeto mais do que aprovado. A gente tem mesmo que dar oportunidades aos nossos autores. Tem taaaaaaaaanta gente boa nesse país, cara <3


    concordo com o autor. Também acho que tem uma delicadeza diferente nas obras orientais. Gosto muito de ler esse nicho. Imagino que os livros dele devem ser tão lindos quanto

    beijo
    www.beinghellz.com.br

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    1. Ahh fico muito feliz que tenha gostado, exatamente. Eles merecem todo o nosso apoio :D
      Beijos

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  10. Olá
    Parabéns pelo projeto .Vejo cada vez mais blogs literarios fazendo projetos assim, incentivando cada vez mais a nossa literatura e eu como "escritora" e leitora sei como isso é importante para valorizar a nossa literaratura que tem tantos escritores , mas pouquissimo reconhecimento .Acredito que já esta começando a refletir no mercadora editoral.A Editora Verus recentemente vem lançando mais titulos nacionais .É uma teoria minha , mas acredito que projetos como esse pode ainda mais mudar esse cenario

    Beijos
    Meu mundinho quase perfeito

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    1. Obrigada Babi, é muito importante mesmo valorizar os autores da nossa terra :D
      Beijos

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  11. Interessante, seguindi!!
    No Wattpad tem muitos escritores nacionais
    Postagem nova (Links seguros)
    http://meuestiloe.blogspot.com.br/2018/03/olho-na-tendencia-botas-vermelhas.html

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  12. Que projeto lindo!! Um dia quero participar de algo assim e adorei conhecer esse autor!

    Beijos
    Próxima Primavera

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  13. Adorei esse projeto!! Muito bom conhecer novos autores.

    www.mayaravieira.com.br

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  14. Achei a entrevista incrível e o entrevistado bem inteligente!
    Boa semana.
    Jovem Jornalista
    Fanpage
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  15. Ele ter citado Hayao Miyazaki como inspiração já me ganhou! Vou conferir as obras do autor.

    ADorei essa iniciativa, pretendo começar a trazer mais resenhas de autores nacionais também para o meu blog em breve.

    beijos
    https://atrasadaparaocha.blogspot.com.br/

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    1. Ahh que maravilha Tiele, espero que conheça e goste bastante :D
      Beijos

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