CRIANÇAS NO TRAPICHE

Olá pessoal, tudo bem com vocês? A resenha de hoje é sobre o clássico de Jorge Amado que eu amei ter feito a leitura. Esse ano fiz alguns desafios literários para mim e um deles é fazer a leitura de clássicos durante o ano, algo que não estava habituada a ler, mas que sempre tive essa vontade. Então vamos lá!


* Clássico * Companhia de Bolso * Jorge Amado * 280 páginas * 5 🌟 Onde comprar: Amazon (ao comprar com este link você ajuda na manutenção do blog)


Capitães da Areia é um romance que marcou a literatura brasileira por retratar a vida de meninos que moravam nas ruas de Salvador. Ele nos mostra a tristeza e esperança que há por trás de cada personagem que ainda são crianças que têm que lutar contra tudo e todos para poderem sobreviver.

Eles se reúnem em um trapiche para passarem as noites e se revezam para furtar as casas dos que têm mais condições de vida. Esta foi a única opção que encontraram, pois todos se recusavam a ajudá-los e as autoridades só queriam pegá-los com a intenção de colocá-los na cadeia ou no reformatório - que chegava a ser pior que a prisão.

Um livro que carrega uma crítica social sobre a falta de oportunidades e marginalizações de quem mora nas ruas.

Os capitães da areia dormiam no velho trapiche abandonado, em companhia dos ratos, sob a lua amarela . Na frente a vastidão da Areia, uma brancura sem fim. Ao longe, o mar arrebentava o cais. Pela porta viam as luzes dos navios que entravam e saíram. Pelo teto viam o céu de estrelas, a lua que os iluminava.

Queria que alguém o livrasse daquela angústia, daquela vontade de chorar que o tomava nas noites de inverno. Queria a alegria de uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer os defeitos e os muitos anos que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores.

Se imagina num carrossel, girando num cavalo como todos aqueles meninos que têm pai e mãe, e uma casa e quem os beije e quem os ame. Pensa que é um deles e fecha os olhos para guardar melhor essa certeza.

São crianças que desde cedo vivenciaram as coisas ruins da vida, e por isso estavam cheios de ódios de todos que eram bem de vida e sentiam prazer em conquistar a confiança de cada um deles para depois tirar os seus bens mais preciosos sem nenhum receio, eles achavam que deviam isso a todos que sofrem ou já sofreram, a exemplo de seus pais. Muitos dos jovens infratores perderam seus pais para os combates perdidos, alimentando a sede de vingança de seu povo.

Alguns deles tiveram algumas chances de mudarem de vida, em uma das casas que se alojavam tiveram um recepção diferente de todas as outras, mas não podiam trair o grupo, se fartar das coisas boas e deixá-los a mercê da própria sorte. E o principal motivo para continuarem nas ruas e não na casa dos ricos que queriam um órfão pra cuidar é que nada iria apagar o passado deles. A marca da dor e do sofrimento eram muito visíveis, a liberdade que tinham não se comparava a viver privações, a se enquadrar nos padrões da sociedade que tanto odiavam, e por isso partiam e davam sequência ao plano de furto. 

A única pessoa que lutava pra mudar o destino deles era o padre José Pedro, que ia contra seus costumes sacerdotais para estar no trapiche junto deles pregando a palavra de Deus e tentando fazê-los enxergar a luz no fim do túnel. Dentre todos houve apenas um que ouviu o chamado de Deus e fez o possível para não cometer pecados, algo muito difícil nas condições em que se encontrava.

O padre intercedeu por eles o tempo todo e esse ato trouxe muitas consequências para ele. Mas permanecia convicto de suas ideias, queria dar o melhor por aquelas crianças apesar de ninguém enxergar.

Sua grande e quase única alegria era calcular o desespero das famílias após o roubo, ao pensar que aquele garoto esfomeado a quem tinham dado comida fora quem fizera o reconhecimento da casa e indicara a outras crianças esfomeadas onde estavam os objetos de valor.

Não compreende nada do que se passa. Lembra dos dias da cadeia, a surra que lhe deram, os sonhos que nunca deixaram de persegui-lo. E, de súbito, tem medo de que nesta casa sejam bons para ele. Não sabe mesmo por que, mas tem medo.

Nunca eles tiveram pai e mãe na vida da rua. E tiveram sempre que cuidar de si mesmos, foram sempre os responsáveis por si. Tinham sido sempre iguais a homens. Agora os mais velhos, os que eram desde há anos os chefes do grupo.

Apesar de tanto ódio aparente o que eles mais desejam é serem amados e cuidados; ter uma família, ter um lar, alguém pra contar como foi o dia, como foi sobreviver durante anos em situação lamentável, ter alguém pra dizer que foi ruim mesmo mas que já passou e que nunca mais vão ter que passar por aquilo de novo.

Foi uma leitura sofrida, me emocionei bastante ao perceber que essa não é apenas uma história, mas que existe essa situação em nossa sociedade e todos fecham os olhos. E ao mesmo tempo foi uma leitura prazerosa por compreender a escrita e contexto do autor, minhas expectativas para o gênero foram superadas e já estou empolgada para ler outros clássicos.

Agora quero saber de vocês. Já leram este livro? Me indiquem outro clássico.

28 comentários:

  1. Olá!
    Esse livro é lindo, é uma história que me fez chorar horrores, fico feliz que tenha gostado da leitura.

    Beijão!
    Lumusiando

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  2. Penso que quando eu era pequena passou em Portugal uma novela inspirada nessa história. Eu tenho 3 volumes da Tieta do Agreste para ler (também vi a novela que passou cá na minha infância). Bj

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  3. Olá, Monyque.
    Eu ja li outros livros do autor e assim que der vou ler esse também.

    Prefácio

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  4. Oie.
    Eu gosto de mais desse livro, li ele pro vestibular. É realmente uma obra emocionante. Jorge Amado me pegou de jeito.
    Beijos.
    Fantástica Ficção

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  5. Olá,
    Avisa aí que cheguei, diretamente do BLOG DO PARCEIRO.
    Obrigado pela visita e comentário.
    Li este livro quando criança e nunca esquecerei.

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    1. Eu que agradeço. Ah que bom que já leu, é realmente inesquecível!

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  6. Já ouvi falar deste livro, mas nunca tinha lido nada sobre. Sua resenha conseguiu passar a essência do livro e mostrar o motivo de valer a pena dar uma chance a ele.

    Não li muitos clássicos, mas um dos meus favoritos são A Moreninha, do Joaquim Manuel de Macedo e Lucíola, do José de Alencar, não sei se você já leu algum?

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    1. Vale à pena sim, quando ler me diz o que achou tá?
      Eu li A Moreninha e Luíola no colégio mas não me recordo bem porque foi uma leitura obrigatória e eu levei no sentido literal da palavras, mas vou ler novamente para entender de fato. Obrigada pelas indicações!

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  7. Não conhecia confesso mas fiquei curiosa para ler.
    Beijinhos
    http://virginiaferreira91.blogspot.com

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  8. Olá Mo, tudo bem?!

    Já li esse livro e confesso que sou definitivamente apaixonada por ele. Porque conseguiu me cativar de todas as maneiras.

    Dos que gosto e recomendo de clássicos são Vidas Secas, Dom Casmurro, Senhora e Til <3

    Espero que goste das recomendações <3

    Beijinhosss, Tham
    4 You Books Mania

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    1. Que bom que gostou, ele é mesmo muito bom. Obrigada pelas indicações, já anotei aqui e vou ler sim :D
      Beijos

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  9. obrigada pelo comentário <3
    ainda não conhecia :D

    www.pinkie-love.com

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  10. Oi Monyque,

    Acho muito bacana pegar um clássico para ler de vez em quando.
    Nunca li Capitães da Areia, mas se fosse para pegar um clássico hoje, seria esse.
    Que bom que gostou.
    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
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    1. Que coisa boa Jessica, espero que leia e goste bastante :D
      Beijos

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  11. Parece ser uma história forte mas muito necessária. Uma ótima dica!

    www.vivendosentimentos.com.br

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  12. Olá Monyque. TYudo bem?

    Não li nada do autor ainda e não tenho nenhum livro dele, mas vou mudar isso, adorei a sua resenha e fiquei curioso....bjs.


    https://devoradordeletras.blogspot.com/

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